25 MAY 2026 · Outro aspecto importante é a valorização da linguagem e da interação social. Para Vygotsky, a linguagem é essencial para o desenvolvimento das funções psicológicas superiores, como pensamento, memória e atenção. No caso de estudantes com deficiência visual, isso é ainda mais significativo, porque a aprendizagem não depende apenas da visão, mas principalmente das experiências sociais e culturais ofertadas ao estudante. O próprio Vygotsky afirmava que a compensação da cegueira não ocorre apenas pelo tato ou pela audição, mas principalmente pela linguagem e pelas relações sociais. Isso significa que estudantes com deficiência visual podem desenvolver plenamente suas capacidades quando têm acesso a mediações adequadas, participação social e oportunidades de aprendizagem inclusiva. Pensando em uma estratégia pedagógica baseada nessa teoria, podemos propor uma atividade de aprendizagem colaborativa utilizando materiais táteis e mediação entre seus pares. Por exemplo, em uma aula de Ciências sobre os sistemas do corpo humano, o docente pode organizar os educandos em grupos colaborativos, incluindo o estudante com deficiência visual. Na atividade pode-se utilizar maquetes táteis do corpo humano, peças em relevo, etiquetas em Braille e descrições orais detalhadas. Durante a atividade, os colegas ajudam na exploração do material, descrevendo as estruturas e compartilhando informações. O docente atua como mediador, estimulando perguntas, diálogos e trocas entre os educandos. Dessa forma, o estudante com deficiência visual participa ativamente do processo, constrói conhecimentos junto ao grupo e amplia sua aprendizagem por meio da interação social. Essa proposta está diretamente relacionada aos fundamentos de Vygotsky, porque valoriza a mediação, a linguagem, a cooperação e a aprendizagem social. Além disso, promove inclusão de maneira efetiva, sem reduzir o educando à sua deficiência. É importante refletir que muitas dificuldades enfrentadas pelos estudantes com deficiência visual não estão ligadas apenas à ausência da visão, mas às barreiras pedagógicas e sociais presentes no ambiente escolar. Assim, o docente deve planejar estratégias acessíveis que garantam não apenas a presença do educando, mas sua participação efetiva na aprendizagem. Quando a escola oferece recursos acessíveis, mediação adequada e oportunidades de participação, esses estudantes conseguem desenvolver suas potencialidades de forma significativa. Portanto, a teoria de Vygotsky contribui para compreendermos que a inclusão não significa apenas inserir o estudante na sala de aula, mas garantir condições reais de aprendizagem, interação e desenvolvimento humano.